Bruno Rico
Coisas acontecem. Na semana da final do BBB, chegou a São Paulo a mostra do Andy Warhol, o self-made-celebrity. Um maestro da linguagem, discípulo declarado de John Cage e Duchamp. Um quase-travesti, baladeiro, viciado em glamour e anfetaminas. Focado no próprio rabo fincou uma cunha na estrutura arte-linguagem dos tempos-futuros. Penetrou uma fina ironia no consumo de massas. E, desde então, as mercadorias passaram a estampar um leve sorrisinho à Monalisa.
Mas, filosofia de c.. é rola, e Warhol está morto. Sua ironia virou pó. O consumismo em massa, segmentado, especializado, dos crediários, das prestações, das meninas de saias com pom-pons na mão vendendo automóveis novos, semi-novos e usados é o que pega. Para quem quer Andy Warhol, Hélio Oiticica, Flávio de Carvalho, dá-lhe BBB. E, como dizia aquela tia da escola, “te vira, oh meu”.
Vejamos. A final do reality rendeu à Globo 150 milhões de votos, que pagou 1,5 milhão a um novo-herói-artista-celebridade-cheio-de-músculos-mas-com-algum-sentimento. Mesmo sem sal algum, o bolanders é aceito pela massa como algo a ser admirado. O melodrama-voyeur dá sofisticação à moderna mercadoria. Todos olham, olham, insistem, e não entendem como aquela figura imbecil atrai tanto. Dourado, o vencedor, é, pelo avesso, um retrato da época.
Quando a arte de Warhol deslanchou, na década de 60, as estruturas econômicas de hoje estavam se reordenando. A produção e o consumo em massa já tinham seu modelo – fordista – mas uma nova fase se preparava: a internacionalização total do capital financeiro. Uma empresa como a Petrobras não tinha como captar milhões de dólares apenas com o anúncio da descoberta de um novo poço de petróleo. Hoje, tem. O processo deu velocidade geométrica à produção de capital. Houve uma quase fusão do capital industrial com o capital financeiro. Passou-se a, aparentemente, lucrar sem sair da esfera financeira, especulando sobre o crédito, sobre a mais-valia futura. Tudo, sem sair de casa. Invés de D – M – D’ (dinheiro-investimento, mercadoria-produção, +dinheiro), foi-se para D – D’ (dinheiro, +dinheiro). O chamado capital virtual é, ao mesmo tempo, mera aparência e fenômeno concreto. Contradição-síntese da época, que também se expressa nas artes.
Warhol antecipou a coisa. Era um fordista olhando para o “neo-fordismo”. Latas Campbell x Pay-per-view BBB 24h Ao Vivo. E nós, “neo-fordistas”, olhamos para Warhol para entender onde foi parar o “valor-de-uso” das mercadorias que são puro “valor”. Buscamos lastro de realidade no mundo dos fetiches.
Essa semana, a Diesel – aquela grife de vanguarda adolescente – lançou a campanha
SEJA ESTÚPIDO!
para uma vida de sucesso
defendendo, em tom-fetiche, meio pop meio punk, que inteligente mesmo é ser burro. Uma mistura de revolta e consumismo. Para eles, um texto como esse é “loser” e o legal é ficar com cara de ressaca-sexy em uma calça jeans previamente rasgada por operários que ganham um salário mínimo. É a vanguarda do Big Brother. Dourado não entenderia.
A suposta ironia que há nas campanhas pretensas a vanguarda do mundo fashion parece-se com a ironia que há em Warhol pois exacerba a afirmação do mundo da mercadoria, e a eleva a um patamar agressivo, muitas vezes mórbido até. Mas, se lá atrás, Warhol anunciou esta merda aqui, este merda aqui já está dando voltas em torno do próprio rabo e cheiro está começando a ficar insuportável. O extremo da afirmação da vida-fetiche aponta para a decadência: modelos de 15 anos com cara de overdose de anfetmina jogadas em um sofá. Sexy-mercadoria é a idéia.
- Seja estúpido!

Incrível!
Incrível são as pistoleras!
aff, que campanha é essa estúpida!
é uma campanha estúpida, como muitas outras pipocando por aí!
Usar a cabeça NÃO SIGNIFICA ter cabelo.
Aceitar o diferente NÃO SIGNIFICA tornar-se igual.
Introspecção é a busca dos desesperados por saberem quem são e o que procuram.
O aquario para um peixe fora d’agua é a expressão.
Comunicar e informar trata do sentimento afetivo para auxiliar a maturidade do outro, que somos nós mesmos no mundo único.
caixa de signos agora ficou cheia de água e não acompanhou o raciocínio. Poderia repetir?
Sobre as DOIDICES ou “DOIDICES” que assistimos enquanto vivemos cabe uma visão objetiva dos diferentes significados, ou seja, a humanidade não evolue – quem evolue é o indivíduo.
Desta forma, mantidas as disTâncias podemos observar e expor nossas opiniões. Sem medo de sermos destruidores e nem de nos contaminarmos. A emoção parece ser diretamente proporcional ao receio da checagem e da avaliação diretas. A equidistância funciona como um limpador de parabrisas, mesmo na chuva, com eles a escolha do caminho ainda é mais fácil.